Arquivo do mês: agosto 2007

O rádio – questões para reflexão

Os meios de comunicação munem-se, em um ambiente de amplas demandas informativas e tecnologias, de novas estratégias de apuração e de interação com a sociedade. O avanço das tecnologias da comunicação e da informação têm gerado reflexos diretos nas rotinas produtivas do jornalismo em qualquer de seus suportes. Rádio, TV, jornal diário, revistas e web têm adaptado sua produção jornalística às possibilidades oferecidas pelas tecnologias. Isso acontece, usando uma expressão comum, “para o bem e para o mal”.

Não tenho aqui a intenção de julgar os fazeres jornalísticos ou atuar como carrasca dos meios de comunicação que têm pouco investimento. Claro, porque só investe em tecnologia o veículo que gera lucros e que, com isso, tem uma fonte de dinheiro para essa atualização. Com o rádio normalmente (lá vou eu para o discurso generalista que tanto critico, mas como esse post é mais um desabafo do que outra coisa, me dou a esse luxo) isso não acontece. Hoje os investimentos são baixos, a estrutura precária, as redações cada vez mais enxutas. Isso traz algumas conseqüências para a informação que se transmite e para o processo de apuração.

O radiojornalismo tem incorporado, de maneira a cada dia mais intensa, ferramentas e fontes de informação como e-mail, telefone e, contrariando sua essência, veículos de comunicação impressos e releases de assessorias de comunicação. O jornalismo de rádio passa a ser pautado pelo próprio jornalismo. Claro, tenho consciência de que esse processo não foi gerado pela internet e pela aproximação e velocidade que ela traz consigo. Mas também compreendo que foi potencializado por ela.

O gilette press não é uma prática atual. Ele existe desde a época de ouro do rádio. A diferença é que antes ele era trabalhado em paralelo com a ida a campo, com a presença no palco dos acontecimentos. Hoje os papéis se inverteram. A reportagem, o trabalho de campo, a observação direta da sociedade estão em segundo plano, complementam a apuração direto da redação. O rádio, dessa maneira, anda na contra-mão da era digital, que exige imediatismo e velocidade. Pautado pela Internet e pelo jornalismo impresso ele apresenta uma dissincronia com outras mídias, não se enquadrando-se em suas exigências fundamentais, ampliando suas definições, conceitos e perspectivas e reconfigurando-se. Não afirmo aqui que esses procedimentos sejam exclusivos do rádio. Afirmo, sim, que nele pode-se encontrar essas características de forma mais explícita e, como sua característica essencial é o imediatismo, de maneira a forçar a aquisição de uma nova identidade.

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Leia / Ouça nº 02

Através dos posts, realizaremos um arquivo das indicações da sessão Leia / Ouça do nosso blog.


Na segunda indicação, tivemos:

MEDITSCH, Eduardo. A Rádio na Era da Informação. Coimbra: Minerva, 1999.


Modelo de Rádio Digital

Com o prazo se aproximando, vale relembrar, utilizando o texto da Agência Reuters:

O modelo de rádio digital a ser adotado no país deve ser anunciado até setembro pelo Conselho de Rádio Digital.

A data será mantida, apesar dos testes com as tecnologias disponíveis, norte-americana e européia, ainda não terem sido totalmente concluídos.

Segundo informações da Agência Brasil, portaria publicada no Diário Oficial em 14 de março estabeleceu um prazo de seis meses (até 14 de setembro) para que o conselho consultivo apresente o relatório final, com a decisão sobre o modelo a ser adotado.

Mas apenas uma emissora de rádio já entregou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o relatório com os resultados dos testes feitos no padrão digital de transmissão, segundo informou a Agência Brasil no começo de agosto.

O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero, prevê que as emissoras entregarão os relatórios em até 60 dias, após o prazo final definido pela portaria.

Atualmente, 16 emissoras de rádio AM e FM operam em caráter de teste no sistema norte-americano In Band on Chanel (Iboc). Outras 42 já pediram autorização à Anatel, mas ainda não iniciaram os testes, segundo a agência. As únicas emissoras que irão testar o sistema europeu Digital Radio Mondiale (DRM) em ondas curtas são a Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB) e a Radiobrás, mas os estudos ainda não começaram.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, ainda não descartou a possibilidade de adoção de mais de um padrão no país, já que nem o Iboc nem o DRM atendem todas as necessidades brasileiras, de acordo com a agência de notícias do governo.

O modelo norte-americano não faz transmissões em ondas curtas, enquanto o europeu, por sua vez, não contempla a FM. O Brasil necessita de rádios em ondas curtas porque têm alcance maior e são as únicas que chegam a algumas regiões da Amazônia.

Os empresários radiodifusores preferem o sistema norte-americano, pois dizem que ele opera em AM e FM na mesma banda e na mesma frequência, de acordo com a Agência Brasil.

Os ouvintes que quiserem captar a programação de transmissão digital terão que adquirir um aparelho de rádio com tecnologia adequada. A expectativa é de que o rádio receptor chegue ao mercado inicialmente na faixa de 100 a 200 reais. A Anatel estima que a migração dos ouvintes se complete entre sete e dez anos.

Para saber mais:

Hélio Costa participou de uma entrevista na Rádio Nacional, em que falou sobre rádio e TV digital, entre outros temas. Os arquivos em vídeo da entrevista estão divididos em três partes.

O Superintendente de Serviços de Comunicação de Massa, Ara Apkar Minassian, realizou uma apresentação em audiência pública no Senado Federal sobre a implantação do rádio digital no Brasil. A fala aconteceu em 15 de agosto desse ano.

Entre as emissoras que desenvolvem atividades teste de rádio digital está a Rádio 99 FM, de Santo André-SP. Confira o relatório inicial, disponibilizado em dezembro de 2006. A emissora utiliza o Sistema de Radiodifusão Sonora Digital IBOC – In-Band On-Chanel.

Em Salvador, a Rádio Sociedade da Bahia realiza testes de trasmissão também através do Sistema de Radiodifusão Sonora Digital IBOC – In-Band On-Chanel. Confira o relatório inicial, que data de março de 2006.

Editor de áudio gratuito – WavePad 3,05

Do UOL Tecnologia

O WavePad é programa de edição e gravação de áudio. Você pode capturar qualquer som que tocar no seu computador e também importar arquivos de vários formatos, como MP3 e WAV. Para editar, o programa possui comandos fáceis para copiar, colar, deletar, mixar, além de efeitos de amplificação, normalização, eco, equalizador, redução de ruídos, entre outros.

Sua interface é simples: exibe a onda de som em múltiplas janelas, ferramentas básicas na parte de baixo e um menu de ajuda à esquerda com os comandos mais usados.

Ele faz automaticamente o fade in e o fade out (aumento e redução de volume), para começo e fim das músicas, e também o autotrim, que retira espaços em branco da faixa áudio. Ao gravar, preste atenção ao tamanho e ao formato dos arquivos, que podem ficar bem grandes.

O WavePad suporta taxas de amostragem de 6000 à 96000 Hz, estéreo ou mono, de 8, 16 ou 32 bits, e permite a instalação conjunta de gravador de CD, CD ripper, conversor de áudio, transmissão de voz via IP, gravador de ligações e transcrição.

Você pode fazer o download do programa gratuitamente.

Radiodocumentário

O documentário é um formato pouco utilizado no rádio brasileiro. A informação de aprofundamento, também classificada por Ferraretto como Jornalismo Interpretativo, é normalmente realizada no Brasil através de reportagens, entrevistas e programas de debates. Para uma explicação do que é o documentário radiofônico, utilizo o texto de Diana Condá e Jamile Amine, no trabalho de conclusão de curso desenvolvido no Centro Universitário da Bahia, em Salvador. Segue abaixo:

O rádio-documentário torna possível a utilização de reportagens ampliadas sobre assuntos cotidianos, o desenvolvimento do senso crítico e aguçar o imaginário do ouvinte (FERRARETO, 2001; MCLEISH, 2001). A amplitude do registro jornalístico no documentário radiofônico pode ser reiterada em trabalho apresentado no XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, por Carmem Lúcia José (2003), que classifica a reportagem como gênero mais rico do jornalismo, destacando o potencial de aprofundamento das informações em contraposição ao gênero noticioso. Paul Chantler (1998) ressalta as possibilidades de aprofundamento no rádio-documentário a partir da veiculação de opiniões divergentes. Esta potencialidade é também observada por Carmem Lúcia José. “[…] diferentemente da notícia, [a reportagem] abre espaço para mais de um ponto de vista: as documentações podem ser variadas, diversificadas e múltiplas, podendo incluir e desenvolver os dados que ficaram fora da notícia”. (JOSÉ, 2003, p. 6).
[…] As informações contidas em um documentário vão além do saber imediato do “quê?”, “como?”, “onde?”, “por quê?”, “quando?”, podendo ser aprofundadas através da multiplicidade de fontes, que poderão trazer inúmeras experiências e informações para contextualizar o tema. A elaboração do documentário envolve um trabalho mais rigoroso do que o da apuração e confecção da notícia (YORKE, 1998). Tal produção começa a ser feita na etapa de pesquisa e planejamento, em que são pensados os temas e subtemas a serem abordados no programa, passa por um esboço para definir atividades que serão desenvolvidas pelos integrantes da equipe técnica, é feito um roteiro (script), redação do texto do locutor, gravação das entrevistas, narração e edição do documentário. Ferrareto (2001), teórico do rádio, também destaca a possibilidade de aprofundamento na abordagem dos temas propostos no rádio-documentário.“Baseia-se em uma pesquisa de dados e de arquivos sonoros, reconstituindo ou analisando um fato importante. Inclui ainda, recursos de sonoplastia, envolvendo montagens e a elaboração de um roteiro prévio”. (FERRARETO, 2001, p. 57). […]

O documentário radiofônico Vozes Urbanas é o produto originário do TCC das jornalistas Diana Condá e Jamile Amine, “Trabalhadores do Pregão: informalidade e estratégias persuasivas”, defendido em 2005. Trata do uso de recursos sonoros como estratégia de comunicação pelos trabalhadores do mercado informal de Salvador.

Cidades Contemporâneas e Políticas de Informação e Comunicações

O livro Cidades Contemporâneas e Políticas de Informação e Comunicações, organizado por Othon Jambeiro, Helena Pereira da Silva e Jussara Borges, será lançado dia 03 de setembro na Livraria Tom do Saber (Rio Vermelho), a partir da 19 horas. A obra é resultado de um programa de pesquisas com o objetivo de investigar a organização e o funcionamento das infra-estruturas e serviços, em Salvador.
O livro é um produto de um programa de pesquisas, iniciadas em 2002, no qual analisa políticas e ações de informação e comunicações em Salvador no quadro conceitual e contextual da chamada Sociedade da Informação. Tem, como objetivo, facilitar a compreensão dos papéis desempenhados por instituições governamentais. A obra, ainda, basea-se no campo de estudo das políticas públicas e de seus aspectos políticos, sociais, econômicos, tecnológicos e legais.
Othon Jambeiro, PhD em comunicação pela University of Westminster (Londres), Professor Titular do ICI / UFBA.
Helena Pereira da Silva, doutora em Engenharia de Produção pela Efsc, pós – doutorada em Comunicação pela Universidade de Aveiro (Portugal), Professora Adjunta do ICI / UFBA.
Jussara Borges, Mestre em Ciência da Informação pelo ICI / UFBA, ex-bolsista da Fapesb e do CNPq, Professora Assistente do ICI / UFBA. [texto de divulgação]

Lançamento: Livro Cidades Contemporâneas e Políticas de Informação e Comunicações, organizado por Othon Jambeiro, Helena Pereira da Silva e Jussara Borges.
Quando: 03 de setembro, segunda-feira.
Onde: Livraria Tom do Saber
Rua João Gomes, 249, Rio Vermelho
Tel: (71) 3334-5677
Horário: 19:00 às 21:00 h.

A PUBLICAÇÃO:
Cidades Contemporâneas e Políticas de Informação e Comunicações
Othon Jambeiro (org.)
Helena Pereira da Silva (org.)
Jussara Borges (org.)
398 p. / R$ 32,00

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História do Rádio FM em Salvador

A história do rádio na Bahia e especificamente em Salvador carece de uma maior atenção acadêmica e de registro. Algumas iniciativas, isoladas na sua maioria, buscam sanar esse déficit que temos de informação sobre a história do rádio baiano. Nessas iniciativas, a fonte mais constante de áudios e histórias é o radialista Perfilino Neto, um dos maiores – senão o maior – conhecedores dos caminhos deste meio de comunicação em Salvador. Uma dessas ações que objetivam registrar o rádio baiano é o capítulo que a professora Ayêska Paulafreitas publicou no livro Vargas, agosto de 54: a história contada pelas ondas do rádio, organizado pela professora Ana Baum. O artigo está também publicado no site da Rede Alfredo de Carvalho, no CD do Encontro, edição de 2004.
Outra iniciativa interessante é do jornalista Márcio Magalhães, formado em Jornalismo pelo Centro Universitário da Bahia. Márcio desenvolveu, como trabalho de conclusão de curso, um documentário radiofônico sobre a história do rádio FM em Salvador. O programa “Viva a História!” foi orientado pela professora Ana Cristina Spannenberg e defendido no ano de 2006.