JORNALISMO DE RÁDIO – Milton Jung

Sete da manhã. O telefone toca na redação de uma rádio brasileira. Ninguém atende. Um acidente na principal rodovia de acesso à capital interrompe o trânsito.

– Desloca o helicóptero para lá.

O telefone volta a tocar.

Na Zona Sul, a polícia ameaça entrar no prédio ocupado por famílias sem-teto.

– Manda o repórter que iria cobrir a chegada do ministro no aeroporto.

Mais uma vez, insistentemente, o telefone.

– Deixa tocar.

Tentativa de fuga em um distrito policial. É na Zona Norte.

– Cadê o repórter das sete que ainda não apareceu?

O toque do telefone é irritante, atrapalha a concentração do redator, que precisa terminar o texto do noticiário.

Brasília avisa que a reunião ministerial vai começar mais cedo.

– É muita gente para entrevistar, precisa de duas equipes por lá.

O barulho do telefone ainda incomoda. O editor passa correndo ao lado. Não dá tempo de atender. Tem que entregar o cartucho com o destaque que entrará no ar dali a pouco.

Do estúdio, vem um chamado:

– Já confirmaram onde será a reunião dos líderes dos partidos?

Quase não dá para ouvir a pergunta. O telefone atrapalha.

Da central técnica, o aviso:

– Rio já gravou, e Minas, também.

O grito se mistura ao som do telefone. Alguém, finalmente, tem a idéia genial: “Tira o fone do gancho!”

Problema resolvido. O telefone pára de tocar. Ninguém mais precisa atender a ligação. Afinal, todos têm mais com que se preocupar. Deveria ser apenas um ouvinte reclamando que, desde cedo, está sintonizado na rádio, mas até agora não conseguiu a única informação que realmente lhe interessava: a previsão do tempo. É sempre assim, dão-se todas as notícias e ainda aparece alguém para dizer que falta alguma coisa:

– Rádio é bom, o que estraga é o ouvinte.

Trecho da Introdução de Jornalismo de rádio, de Milton Jung, 160 pp., Editora Contexto, São Paulo, 2004. Você pode ler a introdução completa.

Uma resposta para “JORNALISMO DE RÁDIO – Milton Jung

  1. Vila Nova Esperança pede ajuda!
    Sempre perto de eleições promessa de urbanização, rua sem asfalto, esgoto a céu aberto, moradores idosos crianças e até deficiente fisico de cadeira de roda com dificuldade de se locomover devido a rua cheio de entulho por ser de terra para evitar a lama, politicos como o Deputado Estadual Marcos Zerbini sempre perto de eleição prometendo fazer algumas coisas mas nunca fez nada e agora volta a oferecer sua ajuda só porque está perto de eleição e isso é crime eleitoral por que é compra de voto.
    Esta vila fica proximo a Estrada Turistica do Jaraguá e é uma vila escondida por que é uma baixada mas a rua mais critica é a rua Maceio.
    Por favor manda a equipe de filmagens.
    Obrigado.

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