O rádio – questões para reflexão

Os meios de comunicação munem-se, em um ambiente de amplas demandas informativas e tecnologias, de novas estratégias de apuração e de interação com a sociedade. O avanço das tecnologias da comunicação e da informação têm gerado reflexos diretos nas rotinas produtivas do jornalismo em qualquer de seus suportes. Rádio, TV, jornal diário, revistas e web têm adaptado sua produção jornalística às possibilidades oferecidas pelas tecnologias. Isso acontece, usando uma expressão comum, “para o bem e para o mal”.

Não tenho aqui a intenção de julgar os fazeres jornalísticos ou atuar como carrasca dos meios de comunicação que têm pouco investimento. Claro, porque só investe em tecnologia o veículo que gera lucros e que, com isso, tem uma fonte de dinheiro para essa atualização. Com o rádio normalmente (lá vou eu para o discurso generalista que tanto critico, mas como esse post é mais um desabafo do que outra coisa, me dou a esse luxo) isso não acontece. Hoje os investimentos são baixos, a estrutura precária, as redações cada vez mais enxutas. Isso traz algumas conseqüências para a informação que se transmite e para o processo de apuração.

O radiojornalismo tem incorporado, de maneira a cada dia mais intensa, ferramentas e fontes de informação como e-mail, telefone e, contrariando sua essência, veículos de comunicação impressos e releases de assessorias de comunicação. O jornalismo de rádio passa a ser pautado pelo próprio jornalismo. Claro, tenho consciência de que esse processo não foi gerado pela internet e pela aproximação e velocidade que ela traz consigo. Mas também compreendo que foi potencializado por ela.

O gilette press não é uma prática atual. Ele existe desde a época de ouro do rádio. A diferença é que antes ele era trabalhado em paralelo com a ida a campo, com a presença no palco dos acontecimentos. Hoje os papéis se inverteram. A reportagem, o trabalho de campo, a observação direta da sociedade estão em segundo plano, complementam a apuração direto da redação. O rádio, dessa maneira, anda na contra-mão da era digital, que exige imediatismo e velocidade. Pautado pela Internet e pelo jornalismo impresso ele apresenta uma dissincronia com outras mídias, não se enquadrando-se em suas exigências fundamentais, ampliando suas definições, conceitos e perspectivas e reconfigurando-se. Não afirmo aqui que esses procedimentos sejam exclusivos do rádio. Afirmo, sim, que nele pode-se encontrar essas características de forma mais explícita e, como sua característica essencial é o imediatismo, de maneira a forçar a aquisição de uma nova identidade.

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