Radio Generalista ou especializada?

Podemos dizer que a audiência do rádio nunca teve suas especificidades tão conhecidas. A cada dia novos equipamentos e metodologias de estudo e análise do público são desenvolvidas e lançadas no mercado, como já falamos em um post anterior. Com isso, a conseqüência natural é a de que as emissoras passem a se adaptar à demanda apresentada por esse público. Além disso, assim como outros meios de comunicação, o rádio também tem sido atingido pela tendência à especialização e segmentação de conteúdos. Este é um tema a ser debatido por estudiosos e considerado pelo mercado de rádio. Por isso, retomo aqui um trecho do trabalho de um pesquisador português, João Paulo Meneses, disponível integralmente na rede. Um chamado à reflexão.

“Durante as suas primeiras décadas, até pela hegemonia mediática, a rádio era generalista – tentava agradar e conquistar todos os ouvintes que a podiam escutar. Depois, com as múltiplas consequências do choque televisivo, surgem em massa as rádios especializadas e passou a falar-se insistentemente em rádio formatada. Durante as décadas de 50 e 60, rádios especializadas coexistiram com as generalistas, mas nas três últimas décadas assiste-se, progressivamente, ao desaparecimento da rádio generalista e à hegemonia da lógica de formatação. Mas vamos por partes.

“Antes, as rádios procuravam vários públicos ao longo de um mesmo dia, estabelecendo blocos de interesse por horários (por exemplo, os homens de manhã, em trânsito; as mulheres até à hora de almoço em casa, os jovens durante a tarde, etc. – numa arrumação forçosamente simplista). Hoje é pacífico que a maior parte das rádios desistiu de querer conquistar todos, ou sequer o máximo de ouvintes que, teoricamente, as conseguem escutar, e especializou-se. Quatro razões para que isso tenha acontecido:

“A) A oferta radiofónica é muito maior, com a exploração comercial da FM (e a pressão do mercado para a concessão de mais frequências), em paralelo à manutenção da AM;

“B) Os públicos preferem uma programação mais especializada (em alguns casos monotemática), porque tiveram oportunidade de o demonstrar, escolhendo, a que não será alheio aquilo que Marti designa por “la aparición de la juventud como clase social emergente” (Martinéz-Costa e Moreno Moreno, 2004: 33) e também o aparecimento de novos géneros musicais, como o «rock and roll»; no entanto não será irrelevante lembrar que “con frecuencia el mercado quiere lo que la emisora le adelanta”, diz Cebrián Herreros (2001: 175);

“C) Os anunciantes procuram ajustar os seus produtos a alvos bem definidos: “los hábitos se segmentan entre la población a partir de que se reconocen una série de grupos diferenciados por un conjunto de características psicosociales y de hábitos”, diz Marti (Martinéz-Costa e Moreno Moreno, 2004: 33);

“D) A partir do momento em que, em cada país, mas sobretudo a partir dos Estados Unidos, a leitura das audiências se começa a fazer de uma forma sistematizada, percebe-se que há diferentes públicos e não “uma família” que se senta na sala à volta de um rádio. Os estudos de opinião também vão mostrar que esses públicos têm diferentes gostos e possibilidades de escuta (por horas e locais, por exemplo), sendo relevante a banalização do auto-rádio”.

Fonte: MENESES, João Paulo. As dez rádios mais ouvidas em Portugal: os formatos nas estratégias de programação. Dissertação de Mestrado. Departamento de Psicologia Evolutiva e Comunicação da Universidade de Vigo, 2006.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s