Conhecer o público para pensar o rádio

A necessidade de conhecer o público para definir programação e especificidades do jornalismo de rádio é sempre discutida e reiterada. Entretanto, será que trabalhamos, neste caso, com mais um dos mitos e desejos da academia. Pesquisas de opinião são a cada dia mais onerosas e, por isso, menos utilizadas pelas emissoras. A compreensão do público, de para quem as emissoras falam e do que se deve projetar ao pensar nessa audiência é constantemente transformada em uma ação intuitiva no rádio. Isso se dá no Brasil e, pelo que disse o jornalista João Paulo Meneses em julho de 2005, em Portugal também. Reproduzo aqui o post Programar em Rádio. E recomendo a leitura do livro virtual Os textos do Blogouve-se”.

Uma frase do subdirector de programas da Antena Um, lida no Público de sábado, suscita uma reflexão mais vasta. Diz Tiago Alves, a propósito das mudanças na grelha para Julho e Agosto: “Entramos em Julho com grande intensidade informativa, já que a audiência, em virtude das actuais condições do país, está mais receptiva a receber informação”.
Se a Antena Um tivesse encomendado um estudo de opinião que suportasse esta opinião eu não escreveria nada. Mas como é muito pouco provável que isso tenha acontecido, a frase de Tiago Alves remete-nos para, por um lado, o drama dos programadores de rádio em Portugal, que trabalham com palpites, e, por outro, para a falta de estudos de audiência com valor científico.
O que Tiago Alves quer dizer é que lhe parece que os ouvintes estarão interessados em ouvir mais notícias do que música, apesar de estarmos em Julho. Intuição, sensibilidade, experiência, algum senso-comum, uma soma de várias opiniões, mas nada de estudos de opinião que validem uma coisa dessas – os que existem não lhe dizem nem isso nem o contrário.
Como é diferente na televisão. Aí, para o bem e para o mal, as audimetrias não enganam (ou, se enganam, é pouco…). E não há lugar a improvisos. Enquanto as audiências de rádio em Portugal continuarem a ser feitas trimestralmente, com base em entrevistas que apelam à memória dos ouvintes, não daremos o passo em frente.
Até lá, cada director de programas continuará a viver o drama de esperar que as opções da sua rádio sejam do agrado dos ouvintes. Mas só três meses depois.

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