Memória e Narrativas Orais

Trago aqui uma citação interessante de Adriano Lopes Gomes em “As narrativas orais na reconstituição da memória radiofônica: um estudo de caso“.

“Essa relação triádica, constituída pelo mundo, mídia e construção social da realidade, promove uma ordem sistêmica no processo de produção das informações, legitimado pelos procedimentos de previsão, seleção e exposição dos fatos, provocando uma espécie de debate público, teoria que ficou conhecida como agenda-setting (Traquina, 1993; 2001; 2004; Sousa, 2002; Wolf, 2003). Tal concepção teórica surgiu nos Estados Unidos, em 1968, por ocasião de estudos sobre eleições presidenciais, de acordo com pesquisas feitas por McCombs e Shaw (Traquina, 2001:54). Sousa (2002:?) acrescenta: “Essa teoria destaca que os meios de comunicação têm a capacidade não intencional de agendar temas que são objeto de debate público em cada momento”. Imaginemos a capacidade do rádio em provocar os ouvintes a ancorarem idéias, pois trabalha com elementos imaginários do interlocutor, resultando daí uma maior possibilidade de envolvimento mediante o conteúdo apresentado. O significado que decorre dessa situação vai ao encontro do conhecimento de mundo e das vivências de cada ouvinte. Strohschoen (2004:31) diz que a relação entre mídia, realidade social e memória é dinâmica e reflete a natureza da comunicação, como elemento primordial, assim destacando: “abordar o fenômeno da memória hoje é aproximar-se bastante de um aspecto central dos seres humanos: o processo de comunicação, o desenvolvimento da linguagem enquanto esfera simbólica”. Portanto, a memória radiofônica apresenta-se como um conjunto de símbolos, transferido para determinados contextos de vida coletiva, situado no tempo e apreendido através de constantes ressignificações mnemônicas. Ou seja, a cada olhar que se incide sobre certos episódios, há uma espécie de “segundas histórias”, contadas sucessivamente entre gerações, as quais vão recompondo o cenário que se iniciou no passado”.

Essa discussão sobre memória, rádio e realidade social já foi feita em um post anterior, no qual vcs podem ouvir o radiodocumentário Perambulando em Salvador, da jornalista Ives Lopes.

2 Respostas para “Memória e Narrativas Orais

  1. gostei muito desse texto

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