E a rádio digital?

Reproduzo, aqui, parte do post de Jorge Guimarães, no blog A Rádio em Portugal:

 “Parafraseando Mark Twain, «a notícia da morte da rádio foi claramente exagerada». A rádio está viva e recomenda-se, no entanto, tem de se adaptar, mas isto é algo a que a rádio já está habituada.
O futuro da rádio é digital. Mesmo para os menos atentos esta era uma evidência. Num mundo onde toda a tecnologia gira em torno de bits, era mais que previsível a transição do analógico para o digital. No entanto, esta mudança não tem sido pacifica, pois não há um padrão digital global para emissões hertzianas, mas vários – DAB, HD Radio, ISBD-T, DRM – o que torna tudo confuso para os ouvintes. Um receptor radiofónico preparado para funcionar em Inglaterra (DAB), por exemplo, não funcionará nos Estados Unidos (HD Radio) e um preparado para funcionar na América não funcionará no Japão (ISBD-T). Acresce a isto que na Europa continental decorrem testes com o DRM, que, por sua vez, é incompatível com outros sistemas. Na rádio analógica as emissões só têm duas modulações, em amplitude (A.M.) e em frequência (F.M.) pelo que um receptor funciona em qualquer parte do mundo”.

E no Brasil? Aqui ainda não definimos o padrão de rádio. A previsão do governo era de que essa definição se desse em setembro, mas isso não aconteceu. Entre outras coisas, pesquisadores da área de rádio manifestaram-se preocupados com o processo e as metodologias adotads nos testes para a definição. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, reproduzido pelo site da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo, o governo já não tem mais certeza sobre qual sistema deve adotar.

“Para o Ministério das Comunicações, a escolha do padrão de rádio digital deveria ter sido feita em setembro. E tudo fazia crer que opção seria pela tecnologia In band on channel (Iboc), criada pela empresa norte-americana Ibiquity. Hoje, já não há tanta certeza nesse padrão porque os testes conduzidos pelas emissoras não satisfazem às exigências mínimas de qualidade.
As próprias autoridades federais estão chegando à conclusão de que a tecnologia Iboc para o rádio digital ainda apresenta numerosos problemas. Sua adoção nos Estados Unidos, depois de vários anos, não obteve a adesão de mais do que 10% das emissoras daquele país. Diferentemente do rádio digital via satélite, uma forma de rádio por assinatura que faz sucesso entre os norte-americanos, a radiodifusão digital aberta está longe de alcançar a maioria da população.
Depois de ter participado de audiência pública no Senado, na terça-feira passada, André Barbosa Filho, assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, revelou sua preocupação com as possíveis conseqüências da adoção de um padrão de rádio digital que ainda está sujeito a interferências, que tem reduzido alcance do sinal, falta de sincronia entre as transmissões analógicas e digitais e que impossibilita o uso de receptores portáteis por causa do excessivo consumo de baterias.
Se for adotada pelo Brasil nesse estágio, essa tecnologia pode trazer muito mais conseqüências negativas do que benefícios às emissoras e aos ouvintes. Depois de debater diversos temas da legislação de comunicação eletrônica com especialistas, na Comissão de Educação do Senado, André Barbosa tomou conhecimento dos obstáculos que ainda impedem a digitalização das transmissões em amplitude modulada (AM) e freqüência modulada (FM) e sugeriu o adiamento por, pelo menos seis meses, para que o governo decida pelo padrão a ser adotado.
Essas conclusões contrariam frontalmente as avaliações anteriores do Ministério das Comunicações, que tem defendido a tecnologia Iboc como a mais adequada para a radiodifusão brasileira. André Barbosa reconhece ainda que não há critérios uniformes nos testes conduzidos pelas emissoras. E para que essa avaliação seja isenta e confiável, seria necessário que o governo constituísse um grupo incumbido de testar e comparar os resultados da tecnologia Iboc com outros padrões, com a participação majoritária de cientistas e acadêmicos da Universidade brasileira e do CPqD.
O assessor lembrou ainda que “a Casa Civil não quer tomar nenhuma decisão de afogadilho” e que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, está ciente das preocupações do governo, tendo sugerido até a visita de uma delegação brasileira aos Estados Unidos para reunir-se com representantes das emissoras de rádio, de universidades e do órgão regulador americano, a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês)”.

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Uma resposta para “E a rádio digital?

  1. HD Radio is nothing but a farce and consumers are not interested:

    http://hdradiofarce.blogspot.com/

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