Cyrano de Bergerac radiofônico?

Começar a ler o livro de Armand Balsebre “El Lenguaje radiofónico” nos leva a uma viagem no mínimo inusitada – ou inesperada. Balsebre começa seu livro – aliás, importantíssimo para os estudos de radiojornalismo – retomando uma descrição feita por Cyrano de Bergerac, que transcrevo a seguir, em uma versão traduzida pela professora Ana Baumworcel, da Universidade Federal Fluminense, em seu artigo “Armand Balsebre e a teoria expressiva do rádio“. O mais impressionante, com toda essa exatidão e encantamento, foi escrito em 1657!

Ao abrir a caixa, encontrei algo muito parecido com nossos relógios, com molas e máquinas imperceptíveis. Era um livro; mas um livro milagroso que não tinha folhas, nem letras. Era, em resumo, um livro para ler, mas para o qual os olhos eram inúteis. Em compensação, se necessitava dos ouvidos. Assim, quando alguém queria ler (…) girava o ponteiro sobre o capítulo que quisesse escutar e, como se saísse da boca de um homem ou de um instrumento de música, saíam desta caixa todos os sons distintos e claros que servem como expressão de linguagem entre os grandes pensadores da Lua. Desta maneira, tereis eternamente ao vosso redor todos os grandes homens, mortos e vivos, que os entretêm de viva voz.(CYRANO DE BERGERAC, 1657).

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