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O Ouvinte e o consumo ativo

Não são só as rotinas profissionais do jornalista e do comunicador de rádio que estão sendo alteradas pelo processo de tecnologização das redações. Embora essa mudança no cotidiano das emissoras se mostre de maneira direta através das ferramentas tecnológicas, como nos mostram vários autores, entre eles Carmen Peñafiel, essa interferência é intensa. Entretanto, é importante observar que ela também se estabelece de forma indireta.
O jornalista e doutor em comunicação João Paulo Meneses lembra, em um artigo publicado na revista Meios e Publicidade, que existe hoje um novo perfil de ouvinte. Trata-se de um ouvinte com um perfil de consumo ativo, inserido no cotidiano das novas gerações digitais, que buscam, interagem, controlam, personalizam a informação. A cada dia mais é preciso observar que se esse novo público começou a se construir em veículos online, hoje ele se relaciona em grande escala com os demais meios de comunicação e, com isso, demanda deles uma adequação.
Esta discussão não pode ser deixada de lado ao estudar ou pesquisar o jornalismo de rádio em ambiente de convergência e tecnologia.  Voltaremos a isso.
Ficou interessado? Leia o texto de João Paulo Meneses.

Avanço do rádio e a tecnologia

A edição de dezembro de 2008 da RADAR National Radio Listening Report, promovida pela Radio Ink nos Estados Unidos mostrou que este meio de comunicação alcança hoje mais de 234 milhões de pessoas com 12 anos ou mais em uma semana típica. Trata-se de 92% de ouvintes nessa faixa etária semanalmente, mesmo com a adoção de mp3 players e o crescimento de emissoras online. Uma mostra da possibilidade de convivência e adequaçáo deste meio constantemente mutente, que mais uma vez se adapta a um novo padráo, a novas rotinas, a novas ferramentas e a novas demandas de público.

Rádio x Internet

Retomo e reproduzo aqui um post do Blog português O 2º Choque – leitura muito interessante para os pesquisadores de rádio e de radiojornalismo. Segue o post:

Quando a internet ainda não era uma ameaça (e só havia a internet)

Do livro de 2000 de David Hendy (e a demonstrar que quando se fala do futuro – e do mesmo do presente – as analises devem ser muito cuidadosas):

«(…) not only is the fall in radio use among the young very small, but greater use of the Internet may itself help cushion any future drop. Research on the use of the Internet in British homes in 1999, for instance, suggested at while more than a third of people spend less time watching television and a quarter spend less time reading magazines since they are gone ‘online’, a quarter claim to spend more time listening the radio (The Times 26 February 1999). In a similar survey in he USA, radio listening was actually down slightly in households which were online, though television watching was hit more severely (Arbitron 1999). Radio, in other words, is the medium which is most complementary to one of the fastest-growing leisure activities, namely surfing the net. This should not, of course, be surprising given radio’s use as a secondary medium, listened to in the background, and precisely because it is eminently ‘consumable’ while doing other things. (Hendy, 2000: 128)

Pesquisa indica que a Internet veicular vai afetar a audiência das emissoras de rádio

O site Radio Ink divulgou hoje o resultado de mais uma pesquisa que aponta para a fragilização do rádio como meio de comunicação. Diz-se que a tendência do rádio hoje é atuar em algumas frentes onde os demais veículos não chegaram por questões tecnológicas ou porque são proibidos. Uma dessas áreas é o trânsito. O sujeito, quando esta dirigindo, por uma questão legal e por precisar dedicar sua atenção ao tráfego de veículos, não consome informações nem via televisão, nem via internet ou impresso. O meio de comunicação que o acompanha nesses momentos é o rádio. Entretanto, mesmo que não se saiba ainda quando a tecnologia de web veicular estará pronta para ser instalada nos automóveis, uma sondagem já foi realizada pela empresa Bridge Ratings.
O resultado da sondagem diz que, independente de quando isso aconteça, vai gerar um reflexo significativo na audiência de rádio. Foram entrevistadas 2.200 pessoas acima de 16 anos para esse estudo. Os resultados indicam, segundo a projeção realizada pela empresa, que 1% da população norte-americana terá conexão WiFi no carro no primeiro ano de disseminação da tecnologia no mercado. Já quando a tecnologia completar cinco anos, terá um 10.5% da população como usuária e aos 9 esse número chegará aos 53,2%.
Ainda de acordo com a projeção, esse aumento no acesso à rede Wi-Fi nos automóveis levaria a uma gradual substituição do rádio, já que hoje, 48% das pessoas que acessam a internet por banda larga deixaram de ouvir rádio, também de acordo com as informações da Bridge Ratings.

Radio Generalista ou especializada?

Podemos dizer que a audiência do rádio nunca teve suas especificidades tão conhecidas. A cada dia novos equipamentos e metodologias de estudo e análise do público são desenvolvidas e lançadas no mercado, como já falamos em um post anterior. Com isso, a conseqüência natural é a de que as emissoras passem a se adaptar à demanda apresentada por esse público. Além disso, assim como outros meios de comunicação, o rádio também tem sido atingido pela tendência à especialização e segmentação de conteúdos. Este é um tema a ser debatido por estudiosos e considerado pelo mercado de rádio. Por isso, retomo aqui um trecho do trabalho de um pesquisador português, João Paulo Meneses, disponível integralmente na rede. Um chamado à reflexão.

“Durante as suas primeiras décadas, até pela hegemonia mediática, a rádio era generalista – tentava agradar e conquistar todos os ouvintes que a podiam escutar. Depois, com as múltiplas consequências do choque televisivo, surgem em massa as rádios especializadas e passou a falar-se insistentemente em rádio formatada. Durante as décadas de 50 e 60, rádios especializadas coexistiram com as generalistas, mas nas três últimas décadas assiste-se, progressivamente, ao desaparecimento da rádio generalista e à hegemonia da lógica de formatação. Mas vamos por partes.

“Antes, as rádios procuravam vários públicos ao longo de um mesmo dia, estabelecendo blocos de interesse por horários (por exemplo, os homens de manhã, em trânsito; as mulheres até à hora de almoço em casa, os jovens durante a tarde, etc. – numa arrumação forçosamente simplista). Hoje é pacífico que a maior parte das rádios desistiu de querer conquistar todos, ou sequer o máximo de ouvintes que, teoricamente, as conseguem escutar, e especializou-se. Quatro razões para que isso tenha acontecido:

“A) A oferta radiofónica é muito maior, com a exploração comercial da FM (e a pressão do mercado para a concessão de mais frequências), em paralelo à manutenção da AM;

“B) Os públicos preferem uma programação mais especializada (em alguns casos monotemática), porque tiveram oportunidade de o demonstrar, escolhendo, a que não será alheio aquilo que Marti designa por “la aparición de la juventud como clase social emergente” (Martinéz-Costa e Moreno Moreno, 2004: 33) e também o aparecimento de novos géneros musicais, como o «rock and roll»; no entanto não será irrelevante lembrar que “con frecuencia el mercado quiere lo que la emisora le adelanta”, diz Cebrián Herreros (2001: 175);

“C) Os anunciantes procuram ajustar os seus produtos a alvos bem definidos: “los hábitos se segmentan entre la población a partir de que se reconocen una série de grupos diferenciados por un conjunto de características psicosociales y de hábitos”, diz Marti (Martinéz-Costa e Moreno Moreno, 2004: 33);

“D) A partir do momento em que, em cada país, mas sobretudo a partir dos Estados Unidos, a leitura das audiências se começa a fazer de uma forma sistematizada, percebe-se que há diferentes públicos e não “uma família” que se senta na sala à volta de um rádio. Os estudos de opinião também vão mostrar que esses públicos têm diferentes gostos e possibilidades de escuta (por horas e locais, por exemplo), sendo relevante a banalização do auto-rádio”.

Fonte: MENESES, João Paulo. As dez rádios mais ouvidas em Portugal: os formatos nas estratégias de programação. Dissertação de Mestrado. Departamento de Psicologia Evolutiva e Comunicação da Universidade de Vigo, 2006.

Nova tecnologia para medição de audiência em rádio

Uma nova forma de medição de audiência em rádio está sendo utilizada em Philadelphia e em Houston. O Portable People Meter é um dispositivo portátil, que tem o tamanho equivalente a um pager e que permite a detecção mais fiel das variações e especificidades de audiência das emissoras de rádio. O equipamento registra automaticamente quais estações de rádio os participantes de uma sondagem estão ouvindo, além do tempo que dedicam a cada uma delas.
Os resultados do estudo são mais específicos e, como relata The Wall Street Journal (TWSJ), surpreendentes. Detectou-se, por exemplo, dois primeiros mercados observados, que o público navega bastante entre as emissoras. Assim, embora elas tenham uma audiência maior do que previam, essa audiência permanece em cada uma delas menos tempo do que acreditava-se. Outro resultado interessante é que os homens consomem mais rádio do que as mulheres, assim como as pessoas empregadas ouvem significativamente mais rádio do que as desempregadas, ainda de acordo com o TWSJ.
Os resultados da pesquisa vão além desses dados e apontam para uma melhora na compreensão do que é exatamente o público de uma emissora. Essa exatidão,até então tida como impossível para um veículo tão heterogêneo como esse, pode gerar adequações cruciais, melhorando a relação entre emissoras e audiência e fortalecendo o rádio como meio de comunicação de massa. Através desse dispositivo é possível, finalmente, ter uma sondagem mais exata, que minimiza o efeito das respostas inexatas dos entrevistados. Infelizmente, ainda é uma tecnologia sem previsão de chegada ao Brasil. A tecnologia é da Clear Channel Communications Inc.