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Blogs como fonte

As fontes utilizadas pelos jornalistas estão em discussão ultimamente. O blog e-periodistas, de Ramón Salaverría, da Universidade de Navarra, na Espanha, traz mais uma pesquisa interessante: segundo o Arketi Group, os jornalistas norte-americanos se informam fundamentalmente através da internet. Entre os jornalistas entrevistados para o estudo, 84% usam blogs como fontes primárias ou secundárias para suas reportagens. Salaverría alerta, entretanto, para a necessidade de relativizar os resultados.

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Blogosfera

Você não conhece as especificidades da blogosfera? Sabe o que pode ser feito em um blog? E como ele deve ser desenvolvido? Qual a relação dos blogs com os demais espaços na internet? Você pode saber um pouco mais sobre os blogs nos vídeos abaixo:

Veja a matéria “A Febre dos Blogs”. A matéria sobre os blogs é produzida por Francielle Lopes, desenvolvida por Mauricio Freire e Danilo Scaliante e editada por Bruna Bittencourt,todos estudantes de jornalismo da UDC, em Foz do Iguaçu, PR. O vídeo está disponível no YouTube.

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Ainda sobre blogs, mas em uma perspectiva mais acadêmica, vale acompanhar a fala de Marcos Palacios. Abaixo um trecho da palestra realizada na UnB no dia 16 de agosto de 2007 pelo professor da Facom – UFBA Marcos Palácios, com o tema “Os blogs e a expansão do jornalismo”.

Jornalismo blogueiro

É off topic, mas é jornalismo, então vamos lá:

Reproduzo abaixo o texto de Luiz Nassif sobre o jornalismo blogueiro. O texto está disponível no site do Observatório da Imprensa. Um novo jornalismo? Não sei, mas vale a discussão…

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O fenômeno dos blogs veio para ficar. Nos últimos dias participei de três seminários para discutir o tema. Há quem considere os blogs apenas uma forma de jornalismo se valendo de novas tecnologias. Na verdade, trata-se de uma mudança fundamental na forma de fazer jornalismo.
O jornalismo tradicional obedece a uma espécie de linha de produção com responsabilidades diluídas. Começa com a pauta. O chamado “aquário” (direção) planeja algumas matérias, o pauteiro de cada editoria consolida as sugestões e apresenta as suas.
Em geral se tem um pauteiro por editoria. Ele lê os jornais, recebe os releases das assessorias de comunicação, recebe a relação de eventos programados para o dia, das diversas sucursais.
A partir daí seleciona as pautas. A pauta é um roteiro a ser seguido pelo repórter. Contém algumas perguntas básicas, algumas orientações genéricas ou específicas e o nome de fontes a serem consultadas. Como o pauteiro é grande, mas não é dois, as questões quase sempre são genéricas e as fontes quase sempre são as mesmas.
A pauta é entregue para o repórter, em geral jornalista iniciante. Sem experiência na matéria, em apenas um dia terá que conseguir falar com a fonte, perguntar-lhe sobre o tema em geral (para entender do que está falando) e formular as perguntas solicitadas.
O repórter volta para a redação, entrega a matéria para o redator, que revisará o texto e eliminará erros mais evidentes.
Finalmente a matéria é paginada, cabendo ao editor fazer a manchete. Muitas vezes a matéria sai do “aquário” com determinado enfoque. O repórter, em contato com a notícia, apura visões distintas. Para manter o enfoque original, em muitos jornais haverá manchetes que não reproduzem fielmente o texto. Em parte devido à pressa do fechamento; em parte para atender às solicitações do “aquário”.
Conceito ampliado
Nos blogs jornalísticos, o jogo é diferente. O blogueiro coloca uma nota. Os leitores entram comentando. Muitas vezes meramente para externar sua opinião. Outras vezes, trazendo informações adicionais, questionando o enfoque escolhido. São milhares de pessoas espalhadas por várias localidades. Dependendo do ambiente criado poderá haver uma riqueza e rapidez informações imbatível. Dependendo do ambiente, informações incorretas ou injuriosas.
No estágio atual, há muita catarse nos blogs. Em parte provocado pelas possibilidades abertas pelo novo “brinquedo”. O leitor médio ganhou direito ao consumo nos anos 1970, ao voto nos anos 1980, à opinião, nos anos 1990, mas ainda de forma estática – enviando cartas aos jornais ou, através de pesquisas, induzindo o jornal a dar o que ele deseja. Com a internet, ele passa a ser voz ativa no processo. Pode opinar diretamente, sem intermediários.
No primeiro momento, o abuso faz parte do jogo. Depois, o sistema amadurece como um todo.
A próxima etapa da internet e do sistema de blogs será a ampliação do conceito de comunidades – que hoje já existe em portais tipo Orkut. Comunidades de estudiosos, ou de empresas se juntarão no mesmo ambiente, trocando informações, produzindo informações e fazendo negócios.
Pesquisa Ibope
Segundo dados do Ibope, a maior parte dos leitores de blogs jornalísticos está na faixa etária superior a 30 anos. Os leitores mais novos freqüentam mais blogs não-jornalísticos. E buscam informações de uso prático, como ferramentas de hacker, relacionamento, trocas de músicas etc. Por isso a idéia de que os blogs jornalísticos ainda são, no fundo, extensão do colunismo nos jornais.
Fim do jornal?
A idéia de que a internet vai substituir os jornais é falsa, segundo consenso dos debatedores de evento promovido pela Lew Lara Propaganda. Como lembrou o professor Carlos Chaparro, jornal não é meramente o que sai publicado em papel. Um jornal é uma instituição, com personalidade própria, leitores, formas de tratar a informação. O fato de sair em forma impressa ou digital é detalhe, não o essencial.
Credibilidade dos blogs
Questionou-se a questão das informações não-identificadas, ou dos spams que circulam pela internet. Ou mesmo de blogs falsos, como alguns criados para iludir a opinião pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, fez sucesso um blog que era feito por um Steve Job (o criador da Apple) falso. Esse caos faz parte do jogo inicial. Com o tempo o próprio público irá criar âncoras de opinião, onde se escudar.

Quase 9 milhões de brasileiros lêem blogs

Da Revista PC World

Quase 9 milhões de pessoas acessam e lêem blogs, de acordo com dados do Ibope/NetRatings de agosto, o que representa 46% do número de internautas ativos no mês. “Os dados mostram também que o Brasil está no patamar dos Estados Unidos e do Reino Unido, mercados em que o uso de redes sociais é maior que o de blogs, mas atrás de França e, principalmente, Japão”, afirma José Calazans, analista do Ibope Inteligência.
Em agosto, de acordo com o Ibope/NetRatings, praticamente 15 milhões de usuários residenciais navegaram em Comunidades (incluindo redes sociais, bate-papos, fóruns e blogs), o que equivale a cerca de 80% do total de internautas ativos domiciliares do mês. Desses, mais de 13 milhões (70% do total de usuários) entraram em redes sociais.
A audiência de ferramentas que reúnem blogs amadores (como WordPress.com e Blogger) em geral é bastante jovem, com metade com idade inferior a 25 anos. No WordPress.com, essa audiência jovem ainda é mais acentuada e chega a ser até mais de 50%.
“É uma audiência mais nova que a dos sites tradicionais de notícias, cuja audiência até 24 anos gira entre 25% e 40% do total de usuários”, diz Calazans.
O hábito de navegação de pessoas mais velhas, de escolher determinada página para ler e acompanhar notícias, segundo Calazans, é diferente do de pessoas mais jovens, que procuram informações pelos buscadores.
Ao realizar as buscas, os jovens acabam caindo em páginas amadoras, mesmo que essas fontes não usufruam da mesma credibilidade do jornalismo tradicional.”E sabe os que eles buscam, além de temas humorísticos e pornográficos? Resolver seus problemas com trabalhos escolares, pegar música distribuída na rede, informações sobre como usar o eMule, como baixar um programa que consiga desbloquear o celular para usar em outra operadora e por aí vai.”
Em outros países, os blogs mais populares não são ligados à Wired. Os mais vistos versam sobre hobbies, sobre assuntos de casa, como “Como consegui mudar a pintura da casa sem gastar uma fortuna”, ou “Como pescar mais usando iscas naturais”.