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Estudo discute o futuro do rádio

Um dos sistemas de implantação de rádio digital é o DAB, que integra o projeto europeu Eureka. Embora criticado, principalmente por seu alto custo e pelo reduzido avanço tecnológico, é defendido por alguns. Segundo o interessante post de Rogério Santos, do blog Indústrias Culturais, o “governo sueco quer, em três anos, um avanço significativo da distribuição digital da rádio”. Defende isso através do estudo The future of radio, desenvolvido pela Swedish Radio and TV Authority.

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Rádio Digital

Mais um ano acaba e o rádio digital náo chega ao Brasil. Embora a repercussáo da decisáo por um sistema de rádio digital seja menor do que foi a da televisáo, os estudiosos da área manifestam, através de discussóes e publicaçóes, seu posicionamento sobre o assunto.

Vale a pena ler o artigo “Custo e informações imprecisas adiam implantação“, de Nair Prata, publicado no Observatório da Imprensa.

E a rádio digital?

Reproduzo, aqui, parte do post de Jorge Guimarães, no blog A Rádio em Portugal:

 “Parafraseando Mark Twain, «a notícia da morte da rádio foi claramente exagerada». A rádio está viva e recomenda-se, no entanto, tem de se adaptar, mas isto é algo a que a rádio já está habituada.
O futuro da rádio é digital. Mesmo para os menos atentos esta era uma evidência. Num mundo onde toda a tecnologia gira em torno de bits, era mais que previsível a transição do analógico para o digital. No entanto, esta mudança não tem sido pacifica, pois não há um padrão digital global para emissões hertzianas, mas vários – DAB, HD Radio, ISBD-T, DRM – o que torna tudo confuso para os ouvintes. Um receptor radiofónico preparado para funcionar em Inglaterra (DAB), por exemplo, não funcionará nos Estados Unidos (HD Radio) e um preparado para funcionar na América não funcionará no Japão (ISBD-T). Acresce a isto que na Europa continental decorrem testes com o DRM, que, por sua vez, é incompatível com outros sistemas. Na rádio analógica as emissões só têm duas modulações, em amplitude (A.M.) e em frequência (F.M.) pelo que um receptor funciona em qualquer parte do mundo”.

E no Brasil? Aqui ainda não definimos o padrão de rádio. A previsão do governo era de que essa definição se desse em setembro, mas isso não aconteceu. Entre outras coisas, pesquisadores da área de rádio manifestaram-se preocupados com o processo e as metodologias adotads nos testes para a definição. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, reproduzido pelo site da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo, o governo já não tem mais certeza sobre qual sistema deve adotar.

“Para o Ministério das Comunicações, a escolha do padrão de rádio digital deveria ter sido feita em setembro. E tudo fazia crer que opção seria pela tecnologia In band on channel (Iboc), criada pela empresa norte-americana Ibiquity. Hoje, já não há tanta certeza nesse padrão porque os testes conduzidos pelas emissoras não satisfazem às exigências mínimas de qualidade.
As próprias autoridades federais estão chegando à conclusão de que a tecnologia Iboc para o rádio digital ainda apresenta numerosos problemas. Sua adoção nos Estados Unidos, depois de vários anos, não obteve a adesão de mais do que 10% das emissoras daquele país. Diferentemente do rádio digital via satélite, uma forma de rádio por assinatura que faz sucesso entre os norte-americanos, a radiodifusão digital aberta está longe de alcançar a maioria da população.
Depois de ter participado de audiência pública no Senado, na terça-feira passada, André Barbosa Filho, assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, revelou sua preocupação com as possíveis conseqüências da adoção de um padrão de rádio digital que ainda está sujeito a interferências, que tem reduzido alcance do sinal, falta de sincronia entre as transmissões analógicas e digitais e que impossibilita o uso de receptores portáteis por causa do excessivo consumo de baterias.
Se for adotada pelo Brasil nesse estágio, essa tecnologia pode trazer muito mais conseqüências negativas do que benefícios às emissoras e aos ouvintes. Depois de debater diversos temas da legislação de comunicação eletrônica com especialistas, na Comissão de Educação do Senado, André Barbosa tomou conhecimento dos obstáculos que ainda impedem a digitalização das transmissões em amplitude modulada (AM) e freqüência modulada (FM) e sugeriu o adiamento por, pelo menos seis meses, para que o governo decida pelo padrão a ser adotado.
Essas conclusões contrariam frontalmente as avaliações anteriores do Ministério das Comunicações, que tem defendido a tecnologia Iboc como a mais adequada para a radiodifusão brasileira. André Barbosa reconhece ainda que não há critérios uniformes nos testes conduzidos pelas emissoras. E para que essa avaliação seja isenta e confiável, seria necessário que o governo constituísse um grupo incumbido de testar e comparar os resultados da tecnologia Iboc com outros padrões, com a participação majoritária de cientistas e acadêmicos da Universidade brasileira e do CPqD.
O assessor lembrou ainda que “a Casa Civil não quer tomar nenhuma decisão de afogadilho” e que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, está ciente das preocupações do governo, tendo sugerido até a visita de uma delegação brasileira aos Estados Unidos para reunir-se com representantes das emissoras de rádio, de universidades e do órgão regulador americano, a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês)”.

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Modelo de Rádio Digital

Com o prazo se aproximando, vale relembrar, utilizando o texto da Agência Reuters:

O modelo de rádio digital a ser adotado no país deve ser anunciado até setembro pelo Conselho de Rádio Digital.

A data será mantida, apesar dos testes com as tecnologias disponíveis, norte-americana e européia, ainda não terem sido totalmente concluídos.

Segundo informações da Agência Brasil, portaria publicada no Diário Oficial em 14 de março estabeleceu um prazo de seis meses (até 14 de setembro) para que o conselho consultivo apresente o relatório final, com a decisão sobre o modelo a ser adotado.

Mas apenas uma emissora de rádio já entregou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o relatório com os resultados dos testes feitos no padrão digital de transmissão, segundo informou a Agência Brasil no começo de agosto.

O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero, prevê que as emissoras entregarão os relatórios em até 60 dias, após o prazo final definido pela portaria.

Atualmente, 16 emissoras de rádio AM e FM operam em caráter de teste no sistema norte-americano In Band on Chanel (Iboc). Outras 42 já pediram autorização à Anatel, mas ainda não iniciaram os testes, segundo a agência. As únicas emissoras que irão testar o sistema europeu Digital Radio Mondiale (DRM) em ondas curtas são a Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB) e a Radiobrás, mas os estudos ainda não começaram.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, ainda não descartou a possibilidade de adoção de mais de um padrão no país, já que nem o Iboc nem o DRM atendem todas as necessidades brasileiras, de acordo com a agência de notícias do governo.

O modelo norte-americano não faz transmissões em ondas curtas, enquanto o europeu, por sua vez, não contempla a FM. O Brasil necessita de rádios em ondas curtas porque têm alcance maior e são as únicas que chegam a algumas regiões da Amazônia.

Os empresários radiodifusores preferem o sistema norte-americano, pois dizem que ele opera em AM e FM na mesma banda e na mesma frequência, de acordo com a Agência Brasil.

Os ouvintes que quiserem captar a programação de transmissão digital terão que adquirir um aparelho de rádio com tecnologia adequada. A expectativa é de que o rádio receptor chegue ao mercado inicialmente na faixa de 100 a 200 reais. A Anatel estima que a migração dos ouvintes se complete entre sete e dez anos.

Para saber mais:

Hélio Costa participou de uma entrevista na Rádio Nacional, em que falou sobre rádio e TV digital, entre outros temas. Os arquivos em vídeo da entrevista estão divididos em três partes.

O Superintendente de Serviços de Comunicação de Massa, Ara Apkar Minassian, realizou uma apresentação em audiência pública no Senado Federal sobre a implantação do rádio digital no Brasil. A fala aconteceu em 15 de agosto desse ano.

Entre as emissoras que desenvolvem atividades teste de rádio digital está a Rádio 99 FM, de Santo André-SP. Confira o relatório inicial, disponibilizado em dezembro de 2006. A emissora utiliza o Sistema de Radiodifusão Sonora Digital IBOC – In-Band On-Chanel.

Em Salvador, a Rádio Sociedade da Bahia realiza testes de trasmissão também através do Sistema de Radiodifusão Sonora Digital IBOC – In-Band On-Chanel. Confira o relatório inicial, que data de março de 2006.